Lista mais enxuta

Dezembro, final de ano, uma época bem corrida esta. Tem gente que ama, tem gente que odeia. Conheço mais gente com tendência a odiá-la. É que para alguns parece que o mundo vai acabar e não apenas o ano. Engraçado que o ano não vai acabar para os judeus nem para os chineses, pelo menos até setembro e metade de janeiro, respectivamente. O calendário é uma invenção humana, afinal.

Um aspecto positivo que eu acho nisso tudo é este sentimento de renovação que fica implícito em tudo o que fazemos a partir do final de novembro... Somos movidos a sonhos, expectativas, esperança. A crença de que tudo vai dar certo ganha força neste período. Há mais sorrisos, mais abraços, mais gentileza e solidariedade no ar. Em contrapartida, aumenta também a hipocrisia, a decepção e a irresponsabilidade. Basta lembrar das festas de final de ano da empresa, dos amigos secretos forçado, dos happy hour com colegas de pouca afinidade, da virada com os parentes dos parentes, do cartão de crédito estourado, etc. A gente sabe de tudo isso, sempre foi assim, mas vamos tocando, dando corda.
 
É como esticar ao máximo um elástico, sabendo que logo, logo ele vai arrebentar e a gente vai ganhar outro, novinho em folha, pra começar – faceiros - a esticar tudo de novo. Mas não pensamos que o elástico pode arrebentar no nosso nariz ou atingir um olho nosso. A gente vai indo, vai fazendo contas, vai criando expectativas, vai dizendo sim pra tudo, afinal época de paz e amor, vai acrescentando itens na lista de "alvos para o ano seguinte".
 
Depois, quandoo elástico finalmente arrebenta, pode até ter dado tudo certo - nenhum nariz ou olho vermelho - mas oque sobra? Frustação. Porque o dia primeiro do ano é igualzinho a um domingo qualquer onde a melancolia vai batendo à medida que anoitece. Porque na segunda-feira a vida é dura outra vez: acordar, registrar o ponto, almoçar, estudar, voltar cansado pra casa... 
Este ano não vou cair nessa. Minha lista para 2012 está bem enxuta, bem realista. Não listei os milagres que espero, nem os sonhos que desejo. Há somente poucas e factíveis determinações. Mau-humor? Pessimismo? Extremismo? Não vejo assim. Um amigo me contou que nem lista faz mais, pra não correr o risco de se decepcionar. Eu o tenho observado: ele tem conquistado muito nos últimos tempos e sua fé é prática e altruísta. É nesse tipo de fruto que pretendo me espelhar. 
 
Nunca acreditei muito nas listas que começam com 10 passos para isso, 05 passos para aquilo. Em se tratando de perder peso, então... Acredito mais na resolução íntima do coração, sem alarde, sem estardalhaço. Tentar fazer como Paulo ensina: a fé que tens, têm-na para ti mesmo. E ainda como o salmista: aquietar a alma.Porque, cá ente nós, a gente sabe que nem tudo o que projetamos acontece.
 
No fundo, se trata apenas de ver as coisas sob uma ótica mais racional, menos emotiva. Tentar isentar o coração de palpitar no meu futuro. Porque o problema não são as expectativas que ele cria, mas como ele lidará com elas quando não forem alcançadas. 
 
E isso vai depender - sempre - daquilo que eu tenho armazenado como princípios de vida.
 
Grande abraço e feliz 2012!
 
Dallen F. Cardoso.
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