Internet é coisa pra gente grande?

Hoje em dia, praticamente todos os adultos sabem que devemos ficar ligados no que e como as crianças e adolescentes usam a internet. Já vimos vários casos complicados, desde problemas na escola e bullyngs, até o jogo “baleia azul” e pedófilos.


Os problemas são os mais variados. Mas a pergunta deste texto é: quem cuida dos adultos que usam a internet? Sim, porque os adultos também estão precisando de monitoramento.


Antes de mais nada, quero dizer que sou uma apreciadora das novidades tecnológicas e redes sociais. Tenho facebook, twitter, instagram, whatsapp e estou sempre ligada para ver as novidades da internet. Ela facilita muito a minha vida por um aspecto, e me conecta com muitas pessoas. Mas confesso que tenho pensado, e repensado um pouco nos efeitos nocivos que ela proporciona, e tentado minimiza-los na minha vida.


Você já se deu conta que a internet pode funcionar como uma droga? Ela é um verdadeiro teste para o domínio próprio e autocontrole. Quem já não perdeu horas na frente do telefone ou computador?


Um dia descobri que no meu telefone existe uma função que me mostra quantas horas por dia eu acesso e fico em cada aplicativo. Para minha surpresa, as horas que eu passava em redes sociais ocupavam boa parte do meu dia. Confesso que foi um choque. Se alguém me falasse isso, eu não acreditaria, mas o fato estava ali.


Em outro momento, fui para lugares onde não pegava internet, e fiquei surpresa com minha reação frente a isso. Eu praticamente tive uma crise de abstinência. Estava ansiosa, inquieta, irritada e com dificuldade de me concentrar. A angústia que senti ao não poder “me atualizar” me fez ver o quanto eu estava dependente daquilo.


Como você se comporta quando fica um dia sem internet? Experimente! Isso revela o quanto esse instrumento pode estar nos dominando ao invés de ser dominado.


Outra questão é que você pode colocar qualquer coisa na internet. Qualquer coisa mesmo. E o mais assustador não é isso. O mais assustador é que as pessoas acreditam em praticamente tudo que leem. Não existe um critério, uma seleção. Não sabemos mais o que é verdade ou mentira. E o pior, não sei se nos interessamos em saber.


Você costuma verificar a procedência daquilo que lê na internet? Ou simplesmente compartilha aquilo que viu? Precisamos exercitar essa questão e parar de ser ingênuos neste sentido. Muita confusão tem sido criada por este motivo.


Além do que já foi falado também podemos pensar no poder que as redes sociais nos dão. Alguém um dia citou uma frase dizendo que “o poder corrompe”. Corromper significar estragar, deteriorar, perverter moral ou fisicamente. Não tenho como dizer se isso acontece com todo mundo, mas acontece com alguns. É necessário sabedoria para lidar com o poder.


Qualquer ferramenta de comunicação é poderosa. Neste caso, ela nos permite dizer o que pensamos, sem filtro, e ao mesmo tempo com um escudo na frente (a tela). Não é direto, não é olhando no olho (isso sempre parece que ajuda quando queremos dizer algo, não é?).


Talvez por isso a gente não pense muito antes de digitar. Também é fácil porque, se eu quiser, fecho a tela do computador e fujo com muita facilidade. Não preciso ficar e resolver. Não preciso ter responsabilidade sobre os sentimentos de ninguém, afinal “o facebook é meu e eu faço dele o que quiser”. Nos dá a falsa impressão que estamos sendo ouvidos. Que nossa voz terá repercussão.


Quando estamos carentes, parece ser uma boa opção, porque parece que as curtidas, de alguma forma, aliviam nosso sentimento de rejeição e vazio. Será?


A internet muitas vezes dá a sensação de que eu posso salvar o mundo através dos meus “posts”. A verdade é que nossa opinião, num mural de rede social, pode chegar e influenciar (ou manipular) a muitos, mas dependendo do que for escrito, posso estar destruindo ao invés de salvando.


E por último, a internet perpetua momentos. Há um provérbio chinês muito apropriado que diz: “Existem três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”. Eu acrescentaria hoje a este texto: as fotos e posts publicados. Eles também não voltam atrás.


Antigamente era mais tranquilo errar e se arrepender. Hoje em dia, o que cai nas redes se perpetua. Você não resgata mais.


Seguem dois textos que gosto muito:

A morte e a vida estão no poder da língua; e aquele que a ama comerá do seu fruto.” Pv 18.21


Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã”. Tg 1.26


É interessante que nestes “tempos modernos” não é mais só a língua que precisamos refrear, mas os dedos que digitam e enchem a internet de montes de coisas. Como tudo isso é algo relativamente novo, acredito que precisamos discutir muito ainda sobre como lidar com toda essa tecnologia. Não só discutir, mas nos preparar para o que vem por aí.


Chego à conclusão que internet não é só coisa para gente grande. Internet é coisa pra gente madura. Será que já atingimos essa maturidade?

Foto: Marlon Arruda

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