Sobre a vida, e algumas raízes

Por vezes precisamos arrancar o que não plantamos. Nem tudo o que vivemos é resultado de nossas escolhas. Essa noção fatalista de causalidade é reducionista, e pobre em relação à vida.


Não escolhemos a família em que nascemos ou mesmo se teremos “saúde”. Outro fato que independe de nós são aquelas coisas que ouvimos, as sentenças minimizadoras, que tiram o sabor dos dias, que alimentam certa fome doída, que deixam um tanto de desgosto na vida.


Tais sentenças são regadas pela repetição, adubadas pela tristeza, e firmam suas raízes com o passar do tempo. Ouvimos sobre quem somos de forma injusta, como se a completude que nos compõe se resumisse aos nossos defeitos. Algumas vezes nos lançaram sementes com tamanha força, que não encontramos meios de resisti-las.


Elas cresceram, firmaram suas raízes em nós, se atrelaram ao que somos. Em alguns casos elas se repetem por anos, como rezas que não fazem sentido. Em outros, elas são ditas uma vez apenas, mas com tamanha violência, seguem ecoando ao longo de toda a vida.


À medida que crescemos, passamos a vê-las como verdades, não porque sejam, necessariamente, mas porque nossa percepção acerca de quem somos fora podada nessa forma. São crenças que nos compõem. Porém, isso não se faz justo, e por isso, precisamos questionar tais noções, cujo fruto, nos faz sofrer, nos atrasa, nos fere.


Perder tais raízes é doído, é deixar morrer uma parte que nos teve, deixa um vão que desorganiza, que gera incerteza, que nos obriga a nos "reinvertarmos" em relação à vida que desejamos. Arrancar essas raízes significa dizer que pessoas que amamos foram injustas, tolas, e proferiram inverdades acerca de nós.


Não é uma vivência agradável, desejada. Precisamos vivê-la paulatinamente, dar início ao processo que põe frente ao espelho quem somos. Tal espelho não busca a beleza suprema, como no conto de fadas, mas a franqueza da feiura pintada parte dos nossos dias. Esse espelho também desnuda a alma e nos ajuda a ver quem somos. Provavelmente, somos melhores e piores do que pensamos. Não somos uma coisa só!


Nem sempre será possível arrancar tais raízes, mas podemos buscar novas formas de lidar com o que nos nutre. Podemos plantar outras sementes, encontrar novas formas de ver a vida, de nos vermos na vida.

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