Morte: uma lembrança sobre a vida

Morte. Expressão verbal forte para a maioria das pessoas. Traz consigo um conjunto de significados, muito além de “fim da vida de um organismo”, como define o dicionário. Aliás, chega a soar grotesco definir essa palavra assim. Querido dicionário, como pode fazer parecer tão simples?


Morte. É a palavra que vem nos lembrar de que a vida acaba! Podemos crer na continuidade, no eterno, mas o fato é que no mundo que conhecemos, ela acaba. Pode ser que um médico lhe dê a sentença de “poucos meses de vida”, ou pode ser que esteja viajando de férias, feliz, e sofra um infortúnio. Com ou sem avisos, ela chegará. E, justamente pelo tanto de implicações que traz quando chega, falar disso desperta uma porção de sensações em nós.


Primeiramente, ela estampa em nossa cara a limitação humana, sem dó nem piedade! Quando ela chega, não há mais nada a fazer. Que raiva sentimos diante do irremediável. Você já se irritou com a falta de critérios da morte? Eu já! “Como assim morreu passeando com o cachorro? Tomando banho? Jantando na casa da tia? Não pode! Deve ter algo que eu possa fazer”. Não há. É irrevogável. E essa sentença, que não podemos recorrer em nenhuma instância, faz nos sentirmos impotentes, pequenos no universo. A consciência da finitude dói. Ela nos tira do lugar de poder algo. Desconforta. Desestabiliza. Entristece.


Contudo, nem só de tristeza se faz um luto. Existe uma sabedoria na morte. Ela nos iguala. Não há privilégio, classe social, gênero ou cor que nos livre dela. Por mais que nossos modos de vida tentem negar, no fim das contas somos sempre iguais! Diante da morte nos repensamos. “Mais vale ir a um funeral do que a uma festa, afinal de contas é para onde iremos. Ninguém sai de lá sem aprender uma lição”. (Eclesiastes 7.2 - A Mensagem).

Aproximar-se de contextos onde a morte está traz um senso de urgência de vida! Ela grita no nosso ouvido o que realmente importa. Faz colocar as prioridades no lugar. Diante da brevidade da vida, pouco vale se você vai ou não trocar de carro. Abraçar quem você ama no fim do dia, isso importa.


O luto também ensina que nunca faremos tudo. Vai sempre faltar algo. Aquela conversa que ficou pra outro dia, a visita prometida. Tudo bem. A gente não dá conta mesmo, a vida é um sopro.


Enlutar-se é também perdoar a si por tudo o que não fez, não foi, não doou. A culpa custa demais e produz pouco, ela não muda as circunstâncias. A angústia da perda convida a ser generoso e misericordioso consigo mesmo e estender misericórdia e graça a outros.


A morte nos humaniza, nos põe em contato direto com o sofrimento que é parte da própria existência, amplia em nós a capacidade de empatizar. O psicólogo norte americano Daniel Goleman (1995), diz que mais do que simpatia, precisamos de sintonia emocional, ou seja, da capacidade de colocar-se no lugar do outro, perceber sua experiência subjetiva, entender o que está sentindo e demonstrar compreensão. Diversos estudos apontam o valor da empatia nas relações humanas.


Há momentos na vida em que vale mais ter alguém para ouvir e acolher a dor, do que para tentar nos animar. Experiências de perda podem nos ajudar a produzir relacionamentos melhores, e a nos tornarmos mais empáticos e solidários com falhas nossas e dos outros.


No tocante a espiritualidade, cabe ressaltar que a fé saudável é aquela que auxilia a enfrentar o momento de pesar, não aquela que o faz pesar mais. A experiência de Jó, relatada na Bíblia, por exemplo, mostra que alguém pode sofrer sem causa. Ou seja, esse personagem não fez algo errado para “merecer”, não estava sendo punido com a sucessão de perdas que sofreu. É comum que na angústia da perda as pessoas questionem o que fizeram para “deixar Deus zangado” ao ponto de lhes causar tanta dor. A narrativa de Jó desmonta essa lógica, bem como nos convida a uma aceitação da dor como parte da experiência humana. Não há um humano que não sofra. Ainda assim, aquele homem encontrou seu Deus em meio à dor, recebeu consolo e reconstruiu sua vida.

Quando alguém que amamos se vai, é preciso encontrar modos de reinventar a vida, convivendo com a falta. Há quem mude de casa, de trabalho, de cidade. Há quem busque uma religião, um sentido para a vida, ou busque apoio psicológico. Ou tudo isso junto!


É possível achar beleza no fim da vida, pois pode representar esperança, recomeço, regate de crenças e de valores. Quando a gente entra em contato com a morte, a gente vive! Vive a dor de lidar com o fim, o medo do desconhecido, mas também a gratidão, a alegria das coisas simples, o amor pelo outro e por si. Quem não pensa na morte não vive!


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