Indo além da fronteira

O Deuteronômio apresenta a Lei de uma maneira um tanto curiosa: não deixa de apelar à reflexão, à experiência de cada um, como se não quisesse obrigar, mas chamar a liberdade de cada crente. “Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração”. Utopia? Pedagogia? Uma aposta ou um voto de confiança no ser humano?


Sim, porém, sobretudo uma convicção contagiosa de que esta lei é a Palavra do Deus Vivo: “Acolhei todas as palavras desta Lei... porque esta palavra não é para vós coisa vazia, antes é a vossa vida”. - Dt 32.46-47. Olha que hoje eu proponho a vida e a felicidade, a morte e a desgraça. A escolha é simples e inteligente, escolhe a vida, para que vivas tu e tua descendência (Dt 30.15, 19).


Este livro é considerado o coração do Antigo Testamento. Vem a ser o que Romanos é para o Novo Testamento. O material que achamos em Deuteronômio vai ser encontrado nos Livros Históricos, nos Profetas, nos Salmos, e de uma maneira carinhosa, por repetidas vezes, na boca de Jesus.


O livro traz os discursos de despedida de Moisés, e é interessante que abre com as seguintes palavras: “São estas palavras que Moisés falou a todo Israel, deste lado do Jordão, no deserto”. O povo, todavia, ainda seguia ‘deste lado’ do Jordão, na margem equivocada. Era a geração que não havia experimentado a escravidão do Egito, porém, também não havia tomado posse da promessa.


Deus estava viajando o tempo todo com eles, o livro repete uma e outra vez: “O Senhor vosso Deus avança pela terra adiante de vós (Dt 1.30). Aliás a palavra ‘adiante’ aparece 44 vezes neste livro, indicando que Deus tem um propósito e este propósito é para frente, adiante.


Este povo vivia na borda, na fronteira. No caso deles, fronteira geográfica, mas também histórica. Iam passar da esperança à posse da promessa, do deserto a uma terra de fartura. Estavam sendo chamados a cruzar a fronteira, a aproveitar as oportunidades que uma geração inteira não soube aproveitar.


A proposta de Deus, a nossa jornada cristã, sempre implica em cruzar fronteiras, ir além da borda, passar para o outro lado, nunca regredir, nunca ficar em cima do muro. Implica em ir junto com Deus.


Implica que cruzemos fronteiras, limites dentro de nós mesmos ou de nossas comunidades. Jesus diz em Mc 4.35: “Passemos para a outra margem”. Haverá desafios, tempestades, confrontos, mas também teremos conquistas, vidas livres e satisfação. Penso que este é um dos grandes convites do Deuteronômio e também um dos grandes convites da vida cristã. De que lado da fronteira você está?

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