O sentir de Deus

Tenho refletido sobre como os profetas, por vezes, conseguem traduzir o sentir de Deus, o pathós de Deus, Sua capacidade de sofrer por Seu amor, usando as próprias vidas e circunstâncias como uma parábola. É como se, por um momento, estivessem literalmente sentindo o que Deus sente a respeito do seu povo.


As expressões do amor divino são diversas. Ficaremos com o amor que se expressa como símbolo conjugal e que esboça a história da aliança como uma história de amor entre esposo e esposa. Oséias, Jeremias e Ezequiel destacam isso. Vejamos em resumo, seu itinerário, escutando as confidências dos próprios profetas.


Para Ezequiel, Israel é uma filha abandonada no deserto (16.4s). Ao passar, Deus a descobre (16.6), se enche de compaixão por ela, a educa e enche de presentes. Chegando na maturidade, se converte em uma jovem de estonteante beleza entre as nações (16.13-14). Deus a toma como esposa entrando em aliança com ela (16.8). Quase um conto de fadas, só que sim, um conto divino! Jeremias também lembra este passado apaixonado: “Lembro-me de como você era fiel na mocidade, do nosso amor de recém-casados, você foi fiel a mim naqueles anos de deserto, aguentou firme comigo por todos aqueles lugares difíceis” (Jr 2.1-2 – A Mensagem). Nunca deixei de te amar e nunca vou deixar (Jr 31.3). É muito amor!


Por desgraça, a jovem casada «deslumbrou-se com sua beleza» (Ez 16.15) ao ponto de prostituir-se. Correu em busca de outros amores e prazeres, crendo que estes enchiam de bens a terra (Os 2.5). Uma traição como esta só pode suscitar a cólera de Deus, o esposo ferido por tal ingratidão. Esta cólera se expressa em uma desapiedada, mas real indignação (Os 2.4-17), que, todavia, deixa transparecer nela o retorno da amada. Pense num ‘marido traído’, mas pense neste ‘marido’ como sendo o próprio Deus...


No meio desta cólera santa, o coração de Deus, nas palavras originais, literalmente se desmancha por Israel (você). Ele retoma a consciência deste amor: “Como te trataria, Efraim? Como te entregaria, ó Israel? O meu coração dá voltas dentro de mim, a minha paixão por ti me comove” (Os 11.8).


Como eco às palavras de Oséias, temos em Jeremias, uma impressionante confissão do sentir de Deus, do amor de Deus diante da angústia de seu povo, após o reconhecimento dos seus erros: “Não é Efraim meu precioso filho, filho das minhas delícias? Pois tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes ternamente me lembro dele; comove-se por ele o meu coração, deveras me compadecerei dele, diz o Senhor” (Jr 31.20). É muito sentimento, muita paixão!

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